quarta-feira, 11 de julho de 2018

ESPERANDO TRANSPORTE




Esperando o Transporte

A calçada era irregular, meu coração era irregular, minhas trêmulas pernas eram irregular. O ônibus não parou para mim, garotos já me tinham desreipeitado naquela manhã, como em todas manhãs. Andar é preciso, mas não era preciso o meu andar, a bengala minha amiga me avisa uma depressão que meus olhos já não veem, estou cansado, procuro um banco na praça, está sob sol mas é o único, me sento.
O Que é e o que será da minha curta vida futura?
Meus grandes amigos já se foram, agora tenho mais saudades que futuro, não sei o que é perspectiva, em casa me tratam como um troço qualquer, não tenho mais o apoio de minha amada, também se foi, ando irritado, minhas dores são minhas, nimguém se importa, e todos querem que eu faça fisicamente coisas que eles podem, ande ligeiro, suba depressa no ônibus, corra para alcançar. Eu tento mais o corpo não obedeçe.
Sentado ao sol escaldante de 10 horas, na praça dos Martírios, comtemplo o Palácio velho do Governo, já estive lá muitas vezes, lembro das calçadas, ruas, praças, bares, cinemas e da minha gente ao meu redor, das noitadas alegres, do meu trabalho, tudo passou, eu passei, sou um intruso dentro daquilo que tanto lutei para construir.
Estão vendo esta praça, o sistema telefônico, as linhas de ônibus, a criação de escolas e grupos escolares, o novo mundo? Eu contribui e muito, mas não para usufruir, foi para voces. E eu tenho que correr para acompanhar porque simplesmente não tens coração e sentimento, gratidão e humanidade que prestar uma justa homenagem a quem gastou toda sua força, sua vista, sua saúde, suas férias, tentando fazer e construir um país melhor e mais justo.
Aos velhos despresados e ignorados nos lares, nos abrigos, nas casas de repouso etc. que só esperam que o transporte celeste os levem para longe do lugar que um dia foi seu. Para um lugar em que possamos reencontrar as ruas, os cinemas, as praças, os bares e os velhos e insubstituíveis amigos e amores.
Torquato
Enviado por Torquato em 19/08/2007
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LEVARAM O PALCO PARA O CÉU

 
LEVARAM O PALCO PARA O CÉU
j.Torquato – em mês de Santana de 2018 - Maceió








EU ERA UM MENINO CALÇAS CURTAS
SUSPENSÓRIOS SEM CAMISA
TAMANCO NOS PÉS, CABELO A MILITAR
QUE QUERIA SER SOLDADO DO 20º BATALHÃO DE CAVALARIA.
E GANHAR MAIS QUE UM MILHÃO.
PARA UMA RADIOLA COMPRAR.
EU E MEU IRMÃO FAZÍAMOS O BLOCO DE CARNAVAL.
EU COM UM ESTANDARTE DE PAPEL COLORIDO.
MEU IRMÃO TOCAVA TAMBOR NUMA LADA DE GOIABADA USADA.
“A MINHA VAQUINHA LEITEIRA
FAZ LEITE DE TODA MANEIRA,
A MINHA VAQUINHA MALHADA,
FAZ LEI, MANTEIGA E COALHADA”
E SEU LAURINDO NOS PREGAVA NO ESTANDARTE
DOIS CRUZEIROS NO ALFINEITE.
E NÓS SAÍAMOS DE NOVO A TOCAR E CANTAR.
NINGUÉM MAIS SE INCOMODAVA EM COLABORAR.
E AO SEU LAURINDO TÍNHAMOS DE VOLTAR
E MAIS DOIS CRUZEIROS PEGAR.
NO FINAL DA NOITE ALTAS OITO HORAS (VINTE HORAS)
ÍAMOS, CANSADOS, DEITAR. ENCOSTANDO O ESTANDARTE.
DE  MANHÃ O ESTANDARTE ESTAVA LOTADO DE NOTAS.
MEU AVÔ E MINHA AVÓ, SENTADOS A CADEIRA NA PORTA DE CASA.
SORRIDENTES OBSERVAVA NOSSO EMPREENDIMENTO.
E ENTRE CARÍCIAS E BEIJOS, ELES SORRATEIRAMENTE.
ALÉM DE MUITO AMOR, NOS DOAVAM MUITA GRANA. PELO MENOS NOS PARECIA.
ESTAVA NA CALÇADA, A MESA DE JANTAR ARRASTANDO A CADEIRA PARA MINHA AVÓ.
SEU AGENOR FÃ DE CINEMA, FÃ DE DONA ETELVINA.
SUA ETERNA RAINHA QUANDO SE FOI LEVOU NA CAUDA DE SUAS VESTES DE AMOR, O PERFUME DA SAUDADE E NO ODOR EM RASTRO MEU AVÔ SEGUIU.
O PERFUME DE MINHA AVÓ
E OS CARNAVAIS NA TERRA NUNCA MAIS SERIAM OS MESMOS.
PORQUE TRANSFERIRAM PARA OUTRO LOCAL.
LEVARAM O CARNAVAL PARA O CÉU PARA FAZER FUNDO DE PALCO
PARA O AMOR INFINITO DE AGENOR E ETELVINA.
j.

N.N.N.NOS QUEREM NO ATÊRRO

NOS QUEREM NO ATÊRRO

Eu estou lendo sua primeira carta para mim, o papel está amarelado pelo tempo, mas ainda está lá o coraçãozinho e as flores que desenhaste nas bordas, o perfume do papel ainda resiste só no ofalto da minha mente. Nela, uma resposta ao meu pedido de namoro junto com um anel paupérrimo, me diz que me aceitas, e que me via passar todo dia frente sua janela, que me achava um “homem lindo” apesar de meu cabelo comprido da minha calça extravagante boca sino, da medalha nas minhas botas, do meu medalhão no pescoço e correntes no pulso. Que eu era um contestador sem causas, mas por isso mesmo romântico e sincero. Sonhavas comigo, e eu contigo.
Ao ler, você não está mais aqui, fazes parte da imensa saudade que tenho de idade, me deixaste provocando uma lacuna imensa no meu eu, um caminho paralelo tornou-se um só traço, cambaleante e em declínio, término de sonhos, ansiedade por ver o fim dela.
Ao sentir os incômodos de dores, caminhadas pesadas e lentas, olhar que não vê muito nem tudo, sonho acordado com amigos que comigo desfrutaram aquela saudade, as partidas de racha na praia, as madrugadas de Natal e Ano Bom nas esquinas comendo caranguejo com cachaça pego nos mangues do Trapiche, o esfrega com as empregadas domésticas debaixo dos coqueiros da Praia do Sobral, o violão do Pedro Luciano, e Carlinhos a imitar Chaplin, A Escola de Samba infantil do Prado, o Carnaval da Praça Moleque Namorador. As noites em que invadíamos as residências com a Radiola e os discos mais as pingas, nas casas dos amigos para fazer festas surpresas, tudo regado a “Volta pela rua a casa da Márcia”.
No banco da praça Deodoro revejo os domingos dos passeios “quem me quer”, e a cantoria na Rádio Difusora. Sem a sombra de você a me acompanhar com a satisfação interna de que depois de tudo passaria sob sua janela como a dar boa noite e que você estava lá, me vendo passar....
Hoje sou ridicularizado pelos moleques nas ruas, atropelado pelos motoristas que se sentem fortes ao maltratar os fracos, pelos bandidos que me roubam na rua, na saída do banco, entrando na minha conta de aposentadoria e sacando em meu nome, pelos ônibus que me ignoram no ponto, pela pressa da juventude em me tirar da frente, pelos cambistas na madrugada das filas do Inss, pela carestia dos medicamentos que levam quase tudo que recebo, pelo meu organismo que não aceita mais alimentos normais, pela insônia que provoca nostalgias, tristezas e saudades imensas, pela Solidão da velhice que não tem mais amigos, parentes ou pelo menos um conhecido para trocar as idéias que partilho nem partilhar as alegrias e tristezas que passamos. Clamamos a morte não só como a covardia de não querer viver e sofrer mais, não gente, sofrer já sofremos uma vida a mais que vocês, e só aumentamos o sofrimento com a fraqueza do corpo e do modo de vida atual onde não há respeito nem admiração pelas coisas feitas e experiências adquiridas pela geração anterior, somos ridicularizados por ter dado nosso suor, nossa força vital, nosso entusiasmo para construir o bairro, a cidade, o estado e o pais que aí está, nada está como na década de 50 do século passado, deve-se isto àquela geração que eu represento, e mostro minhas armas:
Minhas pernas arqueadas e cansadas de levar este corpo,
Meus olhos de visão curta e cansada de tanto ser usada em tempos que claridade era luxo.
Meus sentidos usados, corroídos e imprestáveis, usados para trabalhar, idealizar, fazer.
Minhas mãos enrugadas, manchadas que deram vida, carinho, ternura, fizeram.
Meu eu, só, faz sombra sob este sol que ainda brilha, no caminho por mim pavimentado, nas bordas ajardinadas cuja sementes semeei, nos cruzamentos que pavimentei, ouço passar xingamentos, imcompreensão, atrevimentos, pressa de se me livrar como um monte de lixo ambulante, usado e imprestável que deveria ir para o aterro sanitário.
É isso minha bela esposa, no seu Céu não haveria um lugarzinho para nós trocarmos umas carícias não?  Não é só saudade minha bela, é necessidade de voltar a ser útil e querido.



Torquato
Enviado por Torquato em 13/10/2007
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COMTEMPLAR



















COMTEMPLAR ROTO E TORTO
jTorquato – o Alagoano

Não te vejo mais em meus sonhos, perdi teu rosto.
Acompanhei-te até a curva, descobriste a pedra.
Eu tombei você seguiu, não viu.
Meu caminho tinha as pedras que o poeta falou,
O seu tinha o abismo que ele se esqueceu de falar.
No lugar de teus olhos, sonho estrelas,
No lugar das estrelas, vejo tua íris a bailar brilhos.
Quero que o físico se dane, você é o sutil.
Voce é meu sentimento, por isso sem rosto.
O poeta lembrou da pedra, esqueceu do abismo.
Mas eu me lembrei dos seus passos ouvindo o murmúrio do mar.
E do abismo o “você” transformou em cachoeira.
Roto, torto, miro o mundo sem o pisar.
Torquato
Enviado por Torquato em 18/06/2011
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MENINA LINDA ÉS A POESIA

MENINA LINDA DE CABELOS ESVOAÇANTES ÉS A POESIA
José Torquato:


Ei você
Menina maluca, cabelos esvoaçante,
Menina inquieta, sorriso fácil, rosto radiante.
Ei você que universalizou a Espanha de Wando,
Só para nós.
Você que domou Touros indomáveis.
Ei você levantando o copo à mesa confraternizando
Com um caminhoneiro na tela cantando prá você.
Ei você que seguia trilhas dos outros.
Sem pensar em si, aspirando a poeira do tempo,
Mesmo que, menina linda, estivesse fora de seu tempo.
Agora menina linda, rebelde sem causa,
Me curvo a sua seriedade madura.
Sua sagaz dureza incoerente, sarcasticamente.
Faz poemas sem saber, e ri de si junto a todos.
VOCE MENINA LINDA DE CABELOS ESVOAÇANTE
É POR DEFINIÇÃO DOS POETAS – UMA MUSA
                        OU A PRÓPRIA POESIA.
j.Torquato
em Santana de 2018
J.Royal - Cid. Univ. Maceió

Torquato
Enviado por Torquato em 10/07/2018
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além da eternidade

ALÉM DA ETERNIDADE

DESCOBRI QUE AMO
NÃO VI PASSARINHOS CANTANDO NA ÁRVORE DO QUINTAL
PORQUE DESCOBRI QUE O AMOR É MADURO
NÃO É ESCITAÇÃO, NEM EXALTAÇÃO.
É GRANDE PORQUE É SILENTE, NÃO É PAIXÃO.
NÃO É SÓ DESEJO, É TOQUE, É TERNURA, É CONJUNÇÃO.
NÃO É SÓ MÚSICA, É DANÇA SOB E SOBRE NUVENS ÍNTIMAS.
NÃO SÃO VERSOS, SÃO TROCA DE OLHARES VERSUS PALAVRAS.
NÃO SÃO TEXTOS, É COMUNICAÇÃO TELEPÁTICA.
AMOR É TÃO INTENSO QUANDO MAIS SE VIVE NELE.
AÍ A IDENTIDADE SE CONFUNDE E PASSA DO SOBRENATURAL.
DOM PESSOAL EM DUO, AO ENVELHECER O AMOR REJUVENESCE, E INTENSAMENTE PASSA DESTA PARA QUALQUER VIDA APÓS.
ISTO É QUE É AMOR, NÃO UMA PALAVRA VÃ
NÃO UM SENTIMENTO MUSICAL LITERÁRIO COMERCIÁVEL
ALMAS SE DÃO AS MÃOS E CAMINHAM JUNTOS
SÉCULOS, SECULORES, AMÉM.
ALÉM DA ETERNIDADE.
j,Torquato
Torquato
Enviado por Torquato em 15/04/2016
Código do texto: T5605735
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O COLO - reedição de 2016

O COLO DELA


j.Torquato.
E
TIRARAM MINHA MÃE DE JUNTO DE MIM
E
COLOCARAM ELA PARA TRABALHAR FORA DE CASA,
E
TRATARAM MINHA MÃE COMO PROVEDORA PRINCIPAL
E JÁ,
NÃO PODIA TOMAR MINHAS LIÇÕES DA ESCOLA,
E JÁ,
NÃO PODIA OUVIR AS RECOMENDAÇÕES DA VIDA,
E JÁ,
NÃO TÍNHAMOS O CAFUNÉ DO FIM DOS DIAS.
E JÁ,
NÃO A VIA MAIS PORQUE DORMIA QUANDO SAIA E DORMIA QUANDO CHEGAVA.
PORQUE?
MINHA MÃE ESTUDAVA A NOITE PARA CRESCER NO TRABALHO DE DIA.
MINHA MÃE JÁ NÃO ERA O ESTEIO DA MINHA VIDA.
E
A BABÁ TINHA CARTEIRA ASSINADA E HORÁRIOS.

NÃO ERA MINHA MÃE.

MAS CHEGOU O MOMENTO QUE ACEITAMOS TUDO.
MESMO SABENDO QUE NUNCA MAIS VERIA,

"UM AVENTAL TODO SUJO DE OVO"

MINHA MÃE HOJE TEM SEU PRÊMIO A TANTA DEDICAÇÃO.
TEM ALZAILMER, OLHOS VAZIOS.
MAS SUAS MÃOS CONTINUAM MACIAS.
SEU COLO AINDA É...

O COLO DE MINHA MÃE.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1169576039741480&set=a.178842948814799.39323.100000672844314&type=3&theater
Torquato
Enviado por Torquato em 06/05/2016
Código do texto: T5626733
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